Brasil, o país da bicicleta

Rodrigo Del Claro

Quarenta mil pessoas transbordando energia e felicidade na Copa do Mundo de MTB. Juntas, aglomeradas como há pouco tempo nem podíamos sonhar, vibrando coletivamente por um esporte individual.

Esse é o tom que marcou a abertura da Copa do Mundo de Montain Bike 2022, etapa que aconteceu no Brasil entre os dias 8 e 10 de abril, depois de 17 longos anos sem dar as graças no país.

Essa é a imagem que não sai da minha cabeça. A ilustração de um Brasil possível. A foto de um futuro promissor.

“Ih, lá vem o otimista inveterado”, você pode estar pensando. E há quem possa dizer: “Santa ingenuidade, Batman, onde esse cara esteve nos últimos dois anos?”.

Com os pés bem fincados no chão da realidade, já aviso: eu tô aqui pra falar de esperança.

Uma realidade, um atleta, muita luz no fim do túnel

2020, 2021. No meio de tantas tragédias trazidas pela pandemia, um fôlego de esperança também nasceu com ela: a paixão do brasileiro pela bicicleta. A bike renasceu como alternativa ao caos. Com ela foi possível retomar ações banais como se locomover, se exercitar e sair ao mundo em segurança.

Nós, ciclistas apaixonados; nós, que levantamos a bandeira da mobilidade; nós, que lutamos por um mundo mais sustentável, já não precisamos de tanto discurso em prol do pedal. A realidade, por seus caminhos tortos, tomou as rédeas e fez o seu chamado para a trilha certa.

2022. Um atleta brasileiro, o nosso melhor ciclista dos últimos tempos, o nosso herói que chega em duas rodas pra salvar o reino das bicicletas. Ele, claro, Henrique Avancini, campeão mundial de 2021, neste ano fez melhor. Conseguiu vencer as longas retas da burocracia, escalou as vias íngremes das negociações e conseguiu um feito inédito: trouxe a Copa do Mundo de MTB de volta pro Brasil.

E foi uma loucura. Fazia tempo que eu não via tanta gente feliz por um evento, por uma prova, por um esporte. Os gringos ficaram alucinados com a quantidade de pessoas, com a euforia e com o engajamento dos brasileiros.

Tudo culpa dele, do Ayrton Senna da bicicleta, do Michael Jordan brasileiro dos pedais. Avancini não ganhou desta vez, mas alcançou um patamar que nenhum outro atleta conseguiu até hoje. Ele inspira jovens a entrarem pro esporte, inspira pessoas a começarem a pedalar, inspira uma nação inteira a amar bicicleta.

Exemplo de empreendedorismo, de garra e de determinação, Henrique Avancini conseguiu, sozinho, transformar o ciclismo em um esporte que nos faz ter orgulho de sermos brasileiros; é exemplo de que o coletivo supera o individual; coloca o bem à frente de qualquer mal. Avancini, sobre sua bike, deixa o legado da esperança.

Graças a ele e a todos vocês, amigos ciclistas apaixonados e dedicados, tenho convicção que o Brasil não é mais o país do futebol. O Brasil, hoje, é o país da bicicleta!

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